4 de mai. de 2008

Crítica: West Side Story

De um lado a luta, do outro a dança; de um ângulo o preconceito, do outro a injustiça; do romance, Romeu, da morte, Julieta...
De uma música, o sonho, de outra, a rebeldia; do mundo o palco, da Broadway: West Side Story.

Não é a-toa que West Side é um marco nos musicais mundiais, não pela rica história de amor entre Tony e Maria, mas pela forma inteligente que se destaca o roteiro, dentro de coreografias e músicas criadas com extremo rigor para a (des)construção da beleza do dançante Jazz...

Um roteiro que contém uma história como a de Romeu e Julieta, seria só mais um roteiro de amor entre duas pessoas de diferentes realidades sociais, se não tivesse algum atrativo fundamental...

Baseado na obra de Shakespeare, West Side Story, utiliza os artifícios da música para estampar o preconceito e a desigualdade social, alternando o bom e sujo discurso entre duas gangues às coreografias ricas de tônus, agressividade, requinte e muita ação...

Dá até para imaginar, quando falamos de gangues dançantes, em competições da dança ou coisa do tipo... Mas não é bem isso... As ações criadas nas cenas formam uma harmoniosa correria no palco, onde não se consegue entender quantos anos foram usados em treinamentos para que tanta bagunça desse certo. Se falássemos de duas gangues que competem si, dançando para marcar território seria fácil de desenhar, mas não se estreite a pensar assim, já que musicais - apesar de musicais - ainda contam com algum roteiro. E o desse, felizmente, é muito bem amarrado...

De um lados os Jets, grupo de jovens americanos comandado por Riff e Tony, e, do outro, os Sharks, grupo dos porto-riquenhos que procuram boa vida nos Estados Unidos. De certa forma, ambos estão à procura de encrenca, ainda mais se tratando de jovens de classe média, que, neste caso não dão muito valor aos princípios morais da década de 60.
À frente do seu tempo, o enredo traz uma construção nada linear, apresentando em flashs a vida de Maria (e os porto-riquenhos), e de Tony (e sua trupe), que se apaixonam ao primeiro olhar. Porém Tony é um dos principais inimigos de Bernardo, irmão de Maria, chefe da gangue dos Sharks. Tony tenta largar os maus costumes para viver em harmonia com a amada, mas comete atos em vão...
Tais atos, somados à linda trilha - que desenha cenas e ações, com baladas românticas e “calientes” salsas - fazem com que em poucos momentos lembremos do épico no qual foi baseado, dando maior atenção ao incidente que marca o espetáculo e o divide em dois.

De um lado, o problema, do outro, as formas de solucioná-lo...

De fato, trazer para o Brasil West Side, foi uma atitude grandiosa de Jorge Takla, ainda mais em uma produção de mais de R$ 5 milhões. Dessa grana toda, surgiram 12 cenários, 300 figurinos, 42 atores, 24 músicos e outros tantos profissionais envolvidos.
Os protagonistas – que maravilha – são atores de teatro e cantores, que nunca tiveram grandes papeis em novelas de horário nobre, e que Graças a Deus, foram selecionados com todo o mérito.

Como podem ver, além de babar pelo espetáculo como crítico, também babei como público e ator... O musical é um daqueles que se sente vontade de estar no palco, brincando junto... Parabéns Takla, Parabéns produção de West Side Story, Parabéns ao querido Gabriel Malo, que me surpreendeu no palco!

Longa vida ao espetáculo!

EU INDICO!

2 comentários:

Anônimo disse...

realmente uma produção incrível! com um elenco maravilhoso!
acho ótima essa "onda" de espetáculos da broadway invadindo são paulo!!! tomara que venham mais e mais espetaculos com o nível profissional de west side!
só teremos a ganhar!




ameeei! ;)

Anônimo disse...

Ainnn não ví jú!
de ler fiquei com mais vontade :P