29 de abr. de 2008

Entrevista: Marcos Prado


Em dezembro, quando eu ainda estava no Officecomm, minha chefe Camila, entrevistou Marcos Prado, diretor de Tropa de Elite para o Site da VOGUE RG. A pauta foi minha e algumas dessas perguntas que estão abaixo também... A Entrevista ficou incrível e conta não só sobre "Tropa de Elite", como os novos e antigos projetos deste grande diretor, leiam:
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Você assina a produção e direção de filmes polêmicos, como "Tropa de Elite" e "Estamira" - que conta a história do lixão carioca - e, inclusive, já ficou conhecido como o "Robin Wood" brasileiro por retratar o lado mais fraco da sociedade. Você recebe muitos prêmios ou convites de ONGS para trabalhos? A sua participação em filmes polêmicos se dá à paixão, afinidade ou coincidência?
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Marcos Prado - Realizei como diretor o documentário"Estamira" e fui produtor do "Tropa de Elite". Dirigi também outros três documentários em parceria com José Padilha: "Os Madeireiros", "Os Pantaneiros" e "Jaguar". Acho o título de "Robin Wood" do cinema brasileiro um tanto quanto caricato. Faço meus filmes por idealismo e convicção, não por oportunismo. Existem realidades paralelas a serem reveladas. Não acredito que meus filmes possam mudar o mundo, mas servir como fonte de inspiração e estudo. "Estamira", por exemplo, foi visto em todos CAPS do Brasil e analisado em diversas universidades, inclusive a Puc-Rio.
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É impossível falar em "Tropa de Elite" e não lembrar que o filme foi visto por milhões de brasileiros antes de seu lançamento oficial. Apesar de não ser correta, a pirataria, neste caso, fez "o nome" do filme em todo o pais. Qual a reação da produção? Como você encara a pirataria?
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MP - Ficamos muito frustrados. "Tropa de Elite" foi visto por 11.5 milhões de piratas antes do lançamento, segundo pesquisa encomendada ao IBOPE. Apesar de termos tido mídia espontânea diariamente por dois meses consecutivos, perdemos dinheiro na bilheteria. O público de cinema ficou muito aquém das nossas expectativas. O filme foi visto em todo Brasil em uma versão preliminar, sem finalização técnica. Felizmente, os culpados foram detidos e indiciados pela policia civil. A pirataria é um problema mundial que deve ser combatido. A pirataria é um problema estrutural da indústria cinematográfica brasileira que envolve a sonegação de impostos, a concorrência desleal e a economia informal. A produção de filmes depende de sócios, patrocinadores, co-produtores, distribuidores, exibidores, etc, que se comprometem com a indústria e investem capital. A pirataria compromete a continuidade do cinema nacional.
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O Brasil está evoluindo no mercado cinematográfico internacional, porém, até hoje, nossos filmes e diretores não foram contemplados com nenhum Oscar. O que falta para que os filmes brasileiros sejam reconhecidos no mercado internacional?
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MP - Acho que o cinema nacional da retomada ainda está em fase de amadurecimento. Temos diretores talentosos, técnicos exemplares, atores excepcionais, infra-estrutura de produção e pós produção. Mas temos poucos bons roteiristas. Se não investirmos na formação de novos roteiristas ficaremos à margem do mercado internacional. O "Oscar", que é a celebração maior do cinema americano, virou um espécie de Everest tupiniquim a ser conquistado. Não vejo tanta importância neste prêmio, além da oportunidade comercial.
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Você já trabalhou como fotógrafo, produtor de cinema, diretor de programas de televisão, entre outras coisas. Hoje, você se considera um fotógrafo cineasta ou um cineasta fotógrafo? De que forma suas carreiras se cruzam e como uma auxilia na outra?
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MP - Sempre quis contar histórias. Quando desenvolvia ensaios fotográficos documentais não os fazia por encomenda. Realizei alguns ensaios fotográficos, como "Os Carvoeiros", "Free Tibet" e "Jardim Gramacho", por vontade própria. "Os Carvoeiros" e "Jardim Gramacho" viraram livros. Acredito que tudo que você acumula ao longo dos anos serve para auxiliar na forma e no conteúdo narrativo da história que você quer contar.
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O que o nome Dna. Estamira significa na sua vida?
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MP - Meu encontro com Dona Estamira foi raro e precioso. Aprendi muito com ela ao longo dos quatro anos de filmagens no Lixão. Temos hoje uma relação pessoal de cuidado e respeito. Além da ajuda financeira que damos a ela todo mês, nos falamos semanalmente como se fôssemos da mesma família.
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Marcos, para fazer o Capitão Nascimento de tropa de elite, o Wagner Moura já era o nome certo ou aconteceram testes?
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MP - O Padilha convidou o Wagner por convicção meses antes dos testes. Ele era o único nome certo.
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Na América, o produtor do filme é quem comanda toda a "máquina", o filme está nas mãos dele, diretor, elenco, e tudo mais, são escolhas do produtor, certo?
No Brasil a história é um pouquinho diferente. Você é o produtor de "Tropa de Elite" em conjunto com o Zé Padilha? Como foi esse trabalho?
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MP - Eu e Padilha somos sócios há dez anos. Fundamos a Zazen Produções e sobrevivemos sem jamais termos feito filme de publicidade. Felizmente entramos com o pé direito com o "Tropa de Elite", nosso primeiro filme de ficção. Temos uma regra na Zazen: enquanto um se dedica à criação, o outro segura os pepinos de produção.
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Está envolvido em algum projeto novo? Quais os planos para 2008? Ouvi falar de "drogas sintéticas"... Me conta um pouco.
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MP - "Paraísos Artificiais" será meu primeiro filme de ficção e pretendo rodá-lo no final de 2008. Estou no momento desenvolvendo o primeiro tratamento do roteiro. O foco do filme é no comportamento da juventude, seu idealismo e por que alguns se envolvem com o tráfico de drogas sintéticas. Quero mostrar os caminhos trilhados por eles na busca de um lugar no mundo. O pano de fundo são as festas raves, a música eletrônica, as drogas sintéticas... Estamos também negociando a mini-série do "Tropa de Elite".
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Você gosta de filmes hollywoodianos? E os filmes europeus, qual a sua idéia sobre eles?
MP - Não gosto dos épicos nem dos "blockbusters" americanos. Prefiro o cinema europeu. Menos alegorias e mais conteúdo. Acho o cinema inglês um dos melhores de mundo.
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Ping-pong:
Filme da sua vida: Blade Runner
Diretor: Tarkowisky
Ator: Marlon Brando
Atriz: Natasha Kinski
Uma revelação (como ator): André Ramiro (Tropa de Elite)
Um fotógrafo: Josef Kouldelka
Uma cena: Ventania no lixão de Gramacho (Estamira)
Trilha sonora: Missouri Sky (Charlie Haden & Pat Metheny)
Livro de cabeceira: Old Path White Clouds (Thich Nhat Hanh)

25 de abr. de 2008

Virada Cultural de São Paulo

A Virada Cultural chega à sua quarta edição na cidade de São Paulo, com 24 horas ininterruptas de atrações...

A idéia original da virada, veio das grandes festas européias como a "Nuit Blanche" parisiense, um grande ponto de encontro artístico que agita anualmente a capital francesa, com atrações que seguem madrugada adentro. Em São Paulo, a Virada adquire características próprias e ganha uma dimensão maior a cada ano, mobilizando e emocionando quem a observa do centro da cidade. Para esta edição, a expectativa de público é de mais de 3 milhões de pessoas, com arrecadação próxima a R$ 90 milhões para a cidade.

Esta talvez seja uma das melhores atitudes tomadas pela prefeitura de São Paulo para atingir a massa, já que vivemos em uma terra cinza, sem praia, que aos finais de semana tem apenas 1/3 da sua população convencional, agitando o fim de semana paulistano, pelo menos, uma vez ao ano!

Tendo uma visão mais filosófica do evento, desde que participei a primeira vez da virada cultural - há 2 anos atrás - senti que manifestações desse tipo faltavam em SP, pra unir as pessoas de modo pacional, objetivando a diversão, deixando de lado o palanquismo e a destruição da cidade.

Percebi isso quando andava no metrô na primeira vez q fui à virada, e ví uma cena absolutamente diferente ao que estamos acostumados... O metrô estava lotado, mas não existia empurra-empurra... Milhares de pessoas rodavam o centro com folhetos da programação nas mãos, sorridentes, conversando com todos, discutindo sobre qualidade dos shows e até da estrutura montada para a população naquele dia...

Sem dúvida, isso me deixou feliz e acreditando que, pelo menos neste ano, a virada tenha surtido o verdadeiro efeito: deixar os problemas e diferenças de lado para e usufruir daquilo que pagamos com impostos e confraternizar o final de semana premiado da cidade...

Infelizmente, no ano passado, um show - que não devia estar alí, já que não prega o pacifismo - acabou estragando a festa, com confusão e correira, mas que, adequadamente foi banido este ano para que não haja novas confusões...
A socidedade fica muito contente em saber que houve a preocupação com a organização adequada do roteiro de atrações, visando uma festa de paz, respeitando a viés da virada...
NESSE tipo de ação, tiro meu chapéu para a prefeitura de SP que a cada ano faz melhorias para atingir o maior numero de pessoas com o evento!

Mais informações e o roteiro completo de atrações em http://www.viradacultural.org/

Paz e nos vemos lá! ;)



23 de abr. de 2008

Hard Candy

Quando se trata de Madonna algo novo é sempre de se esperar. Todas tentam, mas fazer o que ela faz a cada roupagem de novas músicas é realmente tato para alguém de talento e poder de decisão! Afinal, são poucas as loucas que batem de frente com a gravadora, para mudar o repertório a cada CD!

Se bem, que bater de frente pra ela é só uma posição de status, já que na verdade tudo o que Madonna faz vende como água, e apesar disso, Graças ao santo dos ouvidos, o conteúdo é, em sua maioria, excelente...

Esse novo CD traduz bem isso... Boa música, mistura de estilos, convidados mais do que especiais em ousadas e criativas versões...

No primeiro Single - já estourado em todo o mundo - ela dá um show de bom senso ao lado de Justin Timberlake, bancando uma de herois, afim de salvar o mundo em 4 minutos ... O que mais chama atenção na faixa são as batidas fortes e diferentes, que identificam a música nos primeiros acordes, daquelas que ficam na cabeça e não tem como confundir com outra... (espertinha, não?!) Timbaland também dá aquela canja no album, provando que é (um dos) melhores produtores musicais da américa - que por onde passa deixa uma estrada de ouro! (...)
Outas faixas lembram Madonna "like a Virgin", mais retrô, com o sininho ao longo da música, transpostos ao POP e R&B, num estilo "New Vogue" de ser... (rs)

O bom é saber que mesmo com tanto nome, tanta marca e tanto sucesso, ela não se mostra uma pessoa surtada como as demais premiadas que aperecem por ai... [Sorry, Amy!]
A cada trabalho, Madonna prova que as aulas de canto estão surtindo efeito e que cara de pau, somados à ousadia e presença de palco, valem muito mais do que qualquer afinação nata!!

22 de abr. de 2008

Mídia: A janela da alma...

As atrocidades humanas estão chegando à um nível superior ao que possamos suportar...
Detesto ser repetitivo, mas diante de um fato desses deixo claro minha indignação perante aos meios de comunicação que ultimamente só visam lucro e criam uma espécie de “super-show” com todos os fatos existentes...

Vivemos em constantes reality shows da vida moderna, onde tragédias da vida real se tornam assuntos para longas horas de programas repetitivos que só pensam em ibope... Pois é, diante do lamentável fato da menina Isabella, a mídia, expansivamente assustadora, já a chama de "nossa" Isabella... Tenho toda a condolência do mundo para com essa garota, mas definitivamente não acho necessário expor a vida de todos à esse ponto... Temos sim um bandido cruel que deve pagar pelo seu escrupuloso ato, mas não acredito que comercializar tal fato seja realmente a melhor saída pra que se encontre o que já está devidamente sendo procurado pela justiça...

Concordamos, na maioria, que a justiça brasileira não é a melhor do mundo, mas está absolutamente hábil para solucionar este caso, assim como solucionou casos tão fervorosos quanto de Suzane Luoise Von Richthofen, a garota que matou os pais; e de Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, por exemplo... Percebam que em ambos os fatos, um show foi criado em volta de toda a série de assassinatos, através da mídia. Mas ao Sul da Paraíba, outras grandes atrocidades acontecem e as equipes de reportagem não se dão nem o trabalho de ir registrar... Lógico, isso não é novidade pra ninguém, não atrai anunciantes, obviamente não será reportado... Guerras Civís em busca de água por nordestinos; a Amazônia sendo devastada por corruptos que são capazes de dizer que uma nova explosão atômica está prestes a acontecer, acabando com a raça humana, para aliviar a culpa por estar destruindo nossa essência e, assim, deitar a cabeça no travesseiro tranquilamente...

Francamente, onde irá parar a comunicação deste País?
É uma equação simples de se entender, e aos poucos a sociedade (que não é burra), enxerga:
Escândalo = Fonte de Mídia = Ibope = Aumento de anunciantes = LUCRO!


A-há! Então se trata mesmo de uma condição financeira favorecer que as tropas armadas norte americanas criem suas bases em solo amazonense? - solo pertencente aos Estados Unidos da América, como dito nas aulas de geografia do ensino fundamental de lá - HÃN?!

Como comunicólogo que sou, critico a maneira que a mídia expõe fatos como estes e deixem de expor outros fatos mais importantes para a sociedade...
A vida das pessoas não é um filme! Se fosse estaria estampado em um roteiro Hollywoodiano, como acontece com os maiores crimes da sociedade, usufruindo do talento de atores, atrizes e diretores para tal! Mas aqui não é Hollywood, não temos atores e diretores, apenas pessoas que querem seus 16 minutos de fama e, através da mídia, nos induz a comprar essa idéia... (??)...

Deveríamos pensar num futuro breve, quando iremos reclamar de coisas catastroficamente banais, que veremos na televisão (se é que já não reclamamos), para não fazer de nossa fonte de trabalho ou entretenimento, algo completamente chato e sem interesse, pela lógica da repetição desenfreada... Mídia é muito mais que ibope e, sempre, será muito mais do que assinar uma matéria “suicidamente-comercializável”!

Claudio Júnior